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Braquiópodes e arte japonesa

Morse 1902 - Observations on living Brachiopoda

I visited Japan solely for the purpose of studying the Brachiopoda of the Japanese seas, and this step led to my accepting the chair of zoology in the Imperial University at Tokyo. Gradually I was drawn away from my zoological work, into archaeological investigations, by the alluring problem of the ethnic affinities of the Japanese race. The fascinating character of Japanese art led to a study, first of the prehistoric and early pottery of the Japanese, and then to the collection and study of the fictile art of Japan. Inexorable fate finally entangled me for twenty years in a minute study of Japanese pottery. The results of this work are embodied in the Catalogue of Japanese Pottery, lately published by the Museum of Fine Arts, Boston. With this work off my hands, I turned back with eagerness to my early studies of the Brachiopoda (…) Japan is the home of the brachiopods.

Edward S. Morse, 1902. Observations on living Brachiopoda in Memoirs of the Boston Society of Natural History, 5(8): 313-386.

As citações são da página 313, 374 e da prancha 41.

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A galaxy for insight

By empowering readers and observers with transparent access to the means by which conclusions are reached, rather than assembling them in an audience to hear the Authorities deliver the catechism from on high, we are all of us becoming scientists in this way, entering into a democracy of the intellect that is already bearing spectacular fruit, not just at Wikipedia but through any number of collaborative projects, from the Gutenberg Project to Tor to Linux.

via theawl.com & @brunogola
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Enigmáticos equinodermos

I also here salute the echinoderms as a noble group especially designed to puzzle the zoologist.

Livro: The Invertebrates: Echinodermata (1955)
Autora: Libbie Henrietta Hyman
Página: Prefácio
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Estatística

It must be emphasized that statistical hypotheses are to be stated before data are collected to test them. To propose hypotheses after examination of data can invalidate a statistical test. One may, however, legitimately formulate hypotheses after inspecting data if a new set of data is then collected with which to test the hypotheses.

Livro: Biostatistical Analysis (Third Edition)
Autor: Jerrold H. Zar
Página: 79
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A pré-história da mente

Contemplar o desenvolvimento da minha prole tem sido, de muitas formas, tão útil à minha busca pela pré-história da mente quanto os artigos e livros que li na última década. Certa vez, quando meu filho Nicholas tinha quase três anos de idade, estávamos nos divertindo com seu zoológico de brinquedo e perguntei se ele queria colocar a foca no lago. Seus olhos fixaram-se por um instante no animal e a seguir ele me olhou brevemente, em silêncio. “Sim”, respondeu, “mas na verdade é um leão-marinho”. Ele estava certo. Eu posso ter confundido os bichos, mas meu filho possuía um conhecimento meticuloso dos seus animaizinhos. Bastava ensiná-lo uma vez e a diferença entre tatus, porcos-da-terra e tamanduás ficava logo embutida na sua mente. (…)

(…) o que eu achei provocante quando meu filho declarou que “na verdade é um leão-marinho” não foi o fato de ele estar certo, mas de ele estar fundamentalmente errado. Como pode ter pensado que era um leão-marinho? Não passava de uma pequena peça de plástico laranja. O leão-marinho é molenga e molhado, é gordo e tem cheiro. A peça de plástico era todas essas coisas – mas apenas na sua mente.

Livro: A pré-história da mente
Autor: Steven Mithen
Páginas: 56 e 59
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A Sombra do Vento

― Seu amigo Tomás tem talento, mas falta-lhe um rumo na vida, e um pouco de ambição, que é o que decide as coisas ― opinava Fermín Romero de Torres. ― A mente científica tem dessas coisas. Veja, por exemplo, o senhor Albert Einstein. Inventou tantos prodígios, e o primeiro para o qual encontraram aplicação prática foi a bomba atômica, e ainda por cima sem a sua permissão. Além disso, com essa aparência de boxeador que Tomás tem, vão lhe dificultar as coisas no meio acadêmico, porque nesta vida o que comanda tudo é o preconceito.

Motivado a salvar Tomás de uma vida de penúrias e incompreensões, Fermín tinha decidido que era preciso fazê-lo exercitar sua oratória latente e a sua sociabilidade.― O homem, como bom símio, é um animal social e nele prevalecem as patotas, o nepotismo, as trapaças e os rumores como pauta intrínseca de conduta ética ― argumentava. ― É biologia pura.

― Não por muito tempo.

― Que sonso você é às vezes, Daniel.

Livro: A Sombra do Vento
Autor: Carlos Ruiz Zafón
Páginas: 80-81
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Rosebud (o verbo e a verba)

Baniram o gerúndio, serão lágrimas de hipocrisia?

Dolores, dolores, dólares…

O verbo saiu com os amigos
pra bater um papo na esquina,
A verba pagava as despesas,
porque ela era tudo o que ele tinha.
O verbo não soube explicar depois,
porque foi que a verba sumiu.
Nos braços de outras palavras
o verbo afagou sua mágoa, e dormiu.

Dolores, dólares…

O verbo gastou saliva,
de tanto falar pro nada.
A verba era fria e calada,
mas ele sabia, lhe dava valor.
O verbo tentou se matar em silêncio,
e depois quando a verba chegou,
era tarde demais
o cádaver jazia,
a verba caiu aos seus pés a chorar
lágrimas de hipocrisia.

dolores, dólares… (rosebud)
dolores e dólares… dólares! (rosebud)
dolores e dólares… (rosebud)
que dolor que me da los dólares
dólares, dólares
ai que dolor, que dolor que me da los dólares

Lula Queiroga (música: Lenine)

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O que é bonito?

O que é bonito
É o que persegue o infinito
Mas eu não sou
Eu não sou, não…
Eu gosto é do inacabado
O imperfeito, o estragado que dançou
O que dançou…
Eu quero mais erosão
Menos granito
Namorar o zero e o não
Escrever tudo o que desprezo
E desprezar tudo o que acredito
Eu não quero a gravação, não
Eu quero o grito
Que a gente vai, a gente vai
E fica a obra
Mas eu persigo o que falta
Não o que sobra
Eu quero tudo
Que dá e passa
Quero tudo que se despe
Se despede e despedaça
O que é bonito…

Lenine e Bráulio Tavares

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O último dos porteiros

Diante da lei está um porteiro. Um homem do campo dirige-se a este porteiro e pede para entrar na lei. Mas o porteiro diz que agora não pode permitir-lhe a entrada. O homem do campo reflete e depois pergunta se então não pode entrar mais tarde. “É possível”, diz o porteiro, “mas agora não”. Uma vez que a porta da lei continua como sempre aberta, e o porteiro se põe de lado, o homem se inclina para olhar o interior através da porta. Quando nota isso, o porteiro ri e diz: “Se o atrai tanto, tente entrar apesar da minha proibição. Mas veja bem: eu sou poderoso. E sou apenas o último dos porteiros. De sala para sala, porém, existem porteiros cada um mais poderoso que o outro. Nem mesmo eu posso suportar a visão do terceiro”. O homem do campo não esperava tais dificuldades: a lei deve ser acessível a todos e a qualquer hora, pensa ele; agora, no entanto, ao examinar mais de perto o porteiro, com seu casaco de pele, o grande nariz pontudo e a longa barba tártara, rala e preta, ele decide que é melhor aguardar até receber a permissão de entrada. O porteiro lhe dá um banquinho e deixa-o sentar-se ao lado da porta. Ali fica sentado dias e anos. Ele faz muitas tentativas para ser admitido, e cansa o porteiro com os seus pedidos. Muitas vezes o porteiro submete o homem a pequenos interrogatórios, pergunta-lhe a respeito da sua terra e de muitas outras coisas, mas são perguntas indiferentes, como as que costumam fazer os grandes senhores, e no final repete-lhe sempre que ainda não pode deixá-lo entrar. O homem, que havia se equipado para a viagem com muitas coisas, lança mão de tudo, por mais valioso que seja, para subornar o porteiro. Este aceita tudo, mas sempre dizendo: “Eu só aceito para você não achar qie deixou de fazer alguma coisa”. Durante todos esses anos, o homem observa o porteiro quase sem interrupção. Esquece os outros porteiros e este primeiro parece-lhe o único obstáculo para a entrada na lei. Nos primeiros anos, amaldiçoa em voz alta o acaso infeliz; mais tarde, quando envelhece, apenas resmunga consigo mesmo. Torna-se infantil, e uma vez que, por estudar o porteiro anos a fio, ficou conhecendo até as pulgas da sua gola de pele, pede a estas que o ajudem a fazê-lo mudar de opinião. Finalmente a sua vista enfraquece e ele não sabe se de fato está escurecendo em volta ou se apenas os olhos o enganam. Contudo, agora reconhece no escuro um brilho que irrompe inextinguível da porta da lei. Mas já não tem mais muito tempo de vida. Antes de morrer, todas as experiências daquele tempo convergem na sua cabeça para uma pergunta que até então não havia feito ao porteiro. Faz-lhe um aceno para que se aproxime, pois não pode mais endireitar o corpo enrijecido. O porteiro precisa curvar-se profundamente até ele, já que a diferença de altura mudou muito em detrimento do homem. “O que é que você ainda quer saber?”, pergunta o porteiro. “Você é insaciável.” “Todos aspiram à lei”, diz o homem. “Como se explica que, em tantos anos, ninguém além de mim pediu para entrar?” O porteiro percebe que o homem já está no fim, e para ainda alcançar sua audição em declínio, ele berra: “Aqui ninguém mais podia ser admitido, pois esta entrada estava destinada só a você. Agora eu vou embora e fecho-a”.

Livro: O Processo
Autor: Franz Kafka
Páginas: 214-215
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Quanta sopa!

… ― Quanta sopa! ― exclamou Gurdulu, inclinou-se dentro da marmita como se avançasse sobre uma sacada, e com a colher raspava sem parar a fim de arrancar o conteúdo mais precioso de cada marmita, isto é, a crosta que permanece presa nas paredes.― Quanta sopa! ― reboava sua voz dentro do recipiente, que, no seu temerário debater-se, entornou em cima dele.Agora Gurdulu estava prisioneiro na marmita virada. Dava para escutá-lo batendo a colher como num sino surdo e sua voz mugindo: “Quanta sopa!”. Depois a marmita se mexeu como uma tartaruga, revirou-se outra vez, e Gurdulu reapareceu.

Estava encharcado de sopa de repolho da cabeça aos pés, manchado, gorduroso, e além disso sujo de fumaça. Com o caldo que lhe escorria sobre os olhos, parecia cego e avançava gritando: “Tudo é sopa!”, com os braços para frente como se nadasse, e não via nada além da sopa que lhe recobria os olhos e o rosto, “Tudo é sopa!”, e numa das mãos brandia a colher como se quisese puxar para si colheradas de tudo aquilo que havia ao redor: “Tudo é sopa!”

Aquela visão provocou em Rambaldo uma perturbação capaz de fazer-lhe rodar a cabeça: mas era mais uma dúvida que um arrepio – que aquele homem que girava ali na frente sem enxergar tivesse razão e o mundo não fosse nada mais que uma imensa sopa sem forma em que tudo se desfazia e tingia com sua substância todo o existente. “Não quero me tornar sopa: socorro!”…

Livro: O Cavaleiro Inexistente
Autor: Italo Calvino
Páginas: 53-54