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Primeiros comentários

Chegou o momento de dizer alguma coisa!

Bom, o intuito deste site é divulgar o material que estou produzindo durante meu mestrado. O conteúdo é composto principalmente por vídeos e imagens do desenvolvimento da bolacha do mar Clypeaster subdepressus do canal de São Sebastião, São Paulo-SP, Brasil.

Depois de uns 2 meses aprendendo a instalar, configurar, melhorar, arrumar, etcs… acho que agora está pronto pra receber o material.

O site está organizado em duas partes. A Galeria onde estarão as fotos e vídeos e o blog onde colocarei informações sobre o projeto, evolução, tutoriais, como arrumar vídeos, preparar fotos ou fertilizar bolachas…! Também é pelo blog que vocês podem interagir colocando seus comentários. Vocês também podem me escrever diretamente através da página de contato.

Me mandem sugestões quanto a navegabilidade do site ou se encontraram algum problema para visualizar imagens, fotos ou páginas!

O material começará a ser carregado na segunda quinzena de agosto por motivos acadêmicos!

Para um começo temos um vídeo e uma imagem!

O material deste site é livre para fins didáticos. Por favor leia com atenção os termos de uso e qualquer dúvida me contate!

Mas quem sou eu? Veja aqui ou navegue no meu site pessoal!

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notas pessoal

Quanta sopa!

… ― Quanta sopa! ― exclamou Gurdulu, inclinou-se dentro da marmita como se avançasse sobre uma sacada, e com a colher raspava sem parar a fim de arrancar o conteúdo mais precioso de cada marmita, isto é, a crosta que permanece presa nas paredes.― Quanta sopa! ― reboava sua voz dentro do recipiente, que, no seu temerário debater-se, entornou em cima dele.Agora Gurdulu estava prisioneiro na marmita virada. Dava para escutá-lo batendo a colher como num sino surdo e sua voz mugindo: “Quanta sopa!”. Depois a marmita se mexeu como uma tartaruga, revirou-se outra vez, e Gurdulu reapareceu.

Estava encharcado de sopa de repolho da cabeça aos pés, manchado, gorduroso, e além disso sujo de fumaça. Com o caldo que lhe escorria sobre os olhos, parecia cego e avançava gritando: “Tudo é sopa!”, com os braços para frente como se nadasse, e não via nada além da sopa que lhe recobria os olhos e o rosto, “Tudo é sopa!”, e numa das mãos brandia a colher como se quisese puxar para si colheradas de tudo aquilo que havia ao redor: “Tudo é sopa!”

Aquela visão provocou em Rambaldo uma perturbação capaz de fazer-lhe rodar a cabeça: mas era mais uma dúvida que um arrepio – que aquele homem que girava ali na frente sem enxergar tivesse razão e o mundo não fosse nada mais que uma imensa sopa sem forma em que tudo se desfazia e tingia com sua substância todo o existente. “Não quero me tornar sopa: socorro!”…

Livro: O Cavaleiro Inexistente
Autor: Italo Calvino
Páginas: 53-54
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notas música

Sonho a Vida no Free Music! Podcast

Sonho a vida no Free Music! Podcast

O site alemão Free Music! Podcast publicou um tópico com minha música Sonho a Vida! Tem até uma mini entrevista sobre licenças livres.

Para quem quiser ler entre aqui (o texto está em alemão e inglês). Aproveite para ouvir as outras músicas, pois a seleção é bem boa e diversificada!

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artigos ciência

Nature Precedings

A Nature Publishing Group acaba de lançar um serviço bastante promissor chamado Nature Precedings. Nele você pode publicar artigos, carregar apresentações, posters apresentados em congressos antes de submeter o trabalho efetivamente para uma revista especializada. É o espaço que faltava para expor idéias mais ousadas que não tem espaço no formato das revistas convencionais.

Nature Precedings

Ao enviar seu trabalho ele é checado para verificar sua seriedade, mas não é revisado (peer-review). A idéia é que as revisões e discussões aconteçam no próprio site. E não precisa se preocupar em ter a sua idéia genial roubada por alguém, pois os artigos recebem uma identificação digital (DOI) que permite que sua citação. O único cuidado a ser tomado é verificar se a revista que você pretende publicar o seu trabalho vai aceitá-lo se você colocar no Nature Precedings. Como muitas revistas exigem conteúdo original nunca antes disponível, as revistas podem encasquetar se você já tiver colocado suas idéias ou mesmo o artigo pré-revisão online.

A Nature anda investindo pesado nas mídias digitais para dinamizar a ciência. Além de contar com um site repleto de feeds, blogs e ainda ter seu podcast, ela lançou recentemente o Connotea (um gerenciador de referências online), o Nature Network (o myspace/orkut para cientistas) e o Scintilla (um agregador para filtrar e personalizar conteúdo para cientistas). Muitas ferramentas novas para experimentar! Agora, até a comunidade científica aderir a estas novas tendências digitais ainda vai demorar…

Só pra não deixar em branco gostaria de falar da revista PLoS One, que foi especialmente desenhada para otimizar a discussão dos artigos lá publicados. É possível fazer comentários, anotações específicas, ou começar uma discussão sobre o artigo. Tudo isso para dinamizar a ciência! Eu acho um modelo muito bom, as pessoas só precisam se acostumar a fazer isso… Ah, e como o acesso aos artigos é aberto qualquer pessoa pode fazer comentários, não precisa ser doutor ou sabichão em algum assunto. Já comentei sobre a PLoS nos desertores para quem se interessar mais.

Estou testando esses serviços novos e algum eu volto a falar sobre eles!

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artigos biologia música pessoal

Manifesto-me

Sou biólogo e gosto de invertebrados marinhos, mais especificamente de organismos desconhecidos ou pouco estudados. Acho que o caminho mais promissor a ser seguido pela teoria da evolução é o que chama-se de sistemas complexos, uma visão de mundo que está se formando como uma ciência altamente interdisciplinar. O enfoque da minha área de pesquisa é a relação entre os processos do desenvolvimento de um organismo (basicamente embriogênese, mas incluindo outros processos como regeneração) e sua história evolutiva (ou evolução). Atualmente estou no meio do mestrado estudando o desenvolvimento de uma bolacha-do-mar, tirando muitas fotos e gravando horas de filmes. Mas, pra quê serve isso? Bom, é um assunto muito complexo pra ser colocado aqui, mas caso queira discutir me mande um email! Ou continue acompanhando o blog que cedo ou tarde falarei sobre isso.

Ah, música. Música que corre em nossas veias. Impossível viver sem e sempre um vício interminável. Além de ouvir gosto de criar minhas musiquinhas que vou colocando aqui. Sinceramente, acho repugnante o que as grandes gravadoras têm feito para manter seu mercado de música e espero que elas acabem na latrina, ou mudem de comportamento. A única solução que vejo é cada artista escolher entre subjulgar seu trabalho à organizações que se preocupam muito com dinheiro e pouco com a arte, ou aproveitar as facilidades de produção e divulgação musical independente atuais. Existe um número crescente de gravadoras independentes e netlabels que estão aí para substituir o modelo retórico das grandes gravadoras por um modelo mais justo. Justo para os músicos, ouvintes e gravadoras.

Existe um universo de músicas excelentes disponibilizadas livremente pelos artistas. Para ajudar a divulgar o trabalho destes artistas montei um blog onde coloco tudo que ouço de bom. Se você não tem idéia do que eu estou falando ou ainda acha que música independente é de baixa qualidade visite ccnelas.org e os links relacionados!

E não é que isso acontece na ciência também? Cientistas ao publicarem seus trabalhos em determinadas revistas científicas cedem seus direitos à editora. Como proprietárias do direito autoral, as editoras restringem o acesso a estes trabalhos. Só poderá ler quem comprar o artigo ou quem pertence à uma instituição que paga a assinatura da revista, e até mesmo o próprio autor do trabalho tem restrições para divulgá-lo. Poxa, mas depois de todo o trabalho que uma revista tem para selecionar, revisar, corrigir e fazer a editoração de um artigo científico não é justo que ela cobre por isso? Perfeitamente. Então o que você está falando? Contrapoxa, não seria muito mais justo se toda a comunidade tivesse acesso aos trabalhos científicos e as editoras recebessem pelo trabalho? Afinal, somos meros primatas tentando entender o que chamamos de realidade e privar a maioria das pessoas de ter acesso à novas informações não vai ajudar em nada na nossa empreitada… Atualmente existem uma série de revistas que vêm aplicando com sucesso o modelo de acesso aberto às publicações científicas, mas muito ainda precisa ser discutido e melhorado. Espero publicar num futuro próximo informações mais detalhadas sobre o assunto.

Meu objetivo era escrever um texto que mistura Biologia, Música e Cultura Livre e acabou saindo isso aí. Espero que sirva de boa introdução para o que ando pensando atualmente!

São Paulo, 16 de maio de 2007

Bruno C. Vellutini

ps: caso queira esfriar a cabeça visite o desertoresdaescada.com, uma fonte inesgotável de utilidades e inutilidades que vale a pena conhecer!

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O Garoto Diarréia Mental

Garoto Diarréia Mental

Criei um personagem pela primeira vez e fiz um roteiro de sua história. Passei o roteiro pro ninja que fez a animação, e por fim eu inventei uma musiquinha tema! A animação pode ser vista aqui.

Não entrarei nos detalhes da história, o legal é descobrir vendo a animação ;-)

Garoto Diarréia

A música tema do Garoto DiarréiaMental pode ser ouvida no meu álbum no Jamendo ou abaixo:

Garoto Diarréia Mental

Disponibilizei através do ccMixter um kit de remix para quem quiser utilizar! Entre na página ou baixe o arquivo zip (arquivos de áudio estão no formato FLAC – para transformar em WAV ou qualquer outro formato utilize o MediaCoder ou o SoundConverter).

Remixem à vontade! Quem quiser pode me mandar pra eu ouvir!

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Larva plúteos no confocal

Larva plúteos
Larva plúteos de Clypeaster subdepressus sob microscopia confocal.

A preparação é uma lâmina total de larvas ~36h após a fertilização, corada com carmin. Depois da captura da seqüência de imagens (no eixo z) no confocal, a informação de profundidade foi codificada em cores de modo que estruturas que têm a mesma cor estão no mesmo plano focal. Em seguida foi feita a projeção que junta todos os planos focais numa única foto.

A seqüência de imagens foi tirada por A.S. de Souza no Instituto Butantan durante uma aula da profa Toshie Kawano.

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Óvulo

O que vocês veêm abaixo é a superfície de um óvulo de uma bolacha-do-mar. O nome da espécie é Clypeaster subdepressus e eu utilizo os gametas para estudar seus embriões.

Neste caso, tirei 40 fotos de diferentes planos focais, corrigi flutuações de luminosidade e fiz uma montagem juntando todos os planos numa única foto. Depois disso comecei a brincar com os contornos e o resultado foi isso aí. As cores nada tem a ver com o óvulo original.

Óvulo

Essas fotos foram tiradas no microscópio, já que este óvulo tem menos que 0,5 mm de diâmetro!

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Super Digital

Inicio aqui uma série de tópicos visuais, onde colocarei imagens relacionadas com meu trabalho! Um mundo super digital.

Além das fotos mostrando seres esquisitos vou colocar um pouco dos experimentos que faço com minhas imagens. Acho bem legal ficar brincando com essas ferramentas digitais e às vezes passo horas só testando as infinitas possibilidades.

Na maioria dos casos utilizo o GIMP para pós-produção e efeitos artísticos em conjunto com o ImageJ.

O ImageJ é um programa de processamento de imagens voltado para a academia, e está cada vez mais popular e em constante desenvolvimento por dois simples motivos: Ele é livre e conta com uma comunidade razoável de usuários. Isso permite que cada um modifique ou crie plugins de acordo com suas necessidades, e como a ciência é um ambiente colaborativo (ou pelo menos deveria ser), grande parte destas ferramentas estão disponíveis para todos!

Sem mais delongas, a imagem abaixo é uma projeção 3D da superfície de um óvulo de uma bolacha-do-mar sobre a qual falarei mais no próximo tópico.

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Béla Fleck and the Flecktones em SP

Béla Fleck and the Flecktones é uma banda que marcou muito minha pós adolescência e gastei todas as músicas que tinha por vários anos. Descobri a banda através dos trabalhos solo do baixista Victor Wooten e o tipo de som me chamou bastante a atenção.

O banjo tocado por Béla Fleck foi a primeira coisa que saltou aos ouvidos, nunca tinha escutado uma música com banjo, eu acho. As músicas são uma viagem completa com temas e melodias muito cativantes sempre gerando uma sensação de estar sendo absorvido pela música.

Nunca imaginei que fosse vê-los ao vivo algum dia!!! Depois de ler a notícia de antemão no Desertores da Escada garanti a presença no último dia 20 de março de 2006, onde eles fizeram duas apresentações no Auditório do Ibirapuera.

O show foi muito bom desde as lindas melodias às pirações de cada músico durante o espetáculo! Aqui vão alguns comentários:

Victor Wooten

vic

O que sempre me surpreendeu nele foi a riqueza das levadas do baixo, e nesse show não foi diferente. Sempre muito bem montadas para marcar o ritmo e realçar as melodias da música nos momentos certos. Queria eu ter esse repertório rítmico e harmônico para criar as minhas… :-). No entanto, achei que suas improvisações durante os solos de baixo de algumas músicas ficaram um pouco “sujas”, muitas notas, muita técnica e pouca efetividade em passar o recado. Como assim?

Num improviso, o músico utiliza o ambiente (outros músicos, platéia, luzes, sons, pensamentos?) para criar sua linha, e normalmente existem algumas restrições como o campo harmônico da canção. Portanto improvisar não é fazer qualquer coisa, e sim inventar dentro de determinado contexto dinâmico! E o que eu senti que faltou um pouco ao Wooten, em alguns momentos durante seus improvisos, foi justamente incluir-se no contexto da música…

Agora, a primeira música solo dele foi impecável! Nenhum exagero, nem nota embolada. Esse solo foi um dos primeiros que ouvi dele, e ainda tenho gravado em fita cassete, sempre ficava tentando descobrir como ele tocava aquilo, e nunca consegui, até ver o vídeo!!! Foi muito bom, assim como o segundo solo, com o FutureMan, que foi mais funkeado e com um final completamente alucinante!

Béla Fleck

Béla Fleck

Quando estou tocando alguma música sozinho, sem metrônomo, fico viajando, passeando entre os temas, voltando, experimentando novos ritmos, notas, volto ao tema, mudo… Achei muito legal, pois sua música solo passou justamente essa sensação! Ficou improvisando dentro de um teminha e depois viajando nas melodias complexas do banjo, na qual ele é fodão! Até fez coisas que só se faz na intimidade do lar como tocar com o nariz… hehe.

Futureman

Futureman

Conhecido por sua invenção denominada de “The RoyEl”, um drumitar (drum+guitar, e aqui sinto que é impossível não fazer um paralelo com o brasileiro Tony da Gatorra, inventor da Gatôrra) que seria um sampler sofisticado em forma de guitarra, sempre foi um ponto polêmico da banda. Alguns o consideram um gênio, outros nem tanto.

Na minha opinião acho suas levadas legais, pois são bastante livres e versáteis, indispensável para o estilo musical da banda. Talvez a ausência de um baterista convencional tenha sido determinante para a formação do estilo atual do Béla Fleck and the Flecktones.

Não consegui, no entanto, decifrar os seus improvisos. Talvez seja um pouco aleatório e muitas notas ao mesmo tempo. Não gosto de ser conservador com música, mas ainda não consegui sacar qual é a do futureman durante seus improvisos.

Por sua vez considero seu último trabalho solo muito interessante. Denominado “The Black Mozart” é uma homenagem ao compositor Afro-francês (ou seria franco-africano?) Le Chevalier de Saint-Georges.

Jeff Coffin

Jeff Coffin

Esse cara é demais. Improvisos fantásticos e alucinantes sem perder o fio da meada. Além disso, acho sua participação nas músicas sempre inspiradoras, desde as melodias principais até a ambiência e pequenas inserções, que dão o toque de mestre. Seu trabalho solo também é bem legal e pode ser ouvido no seu site ou no myspace.

Agora, será que eles deveriam ser mais contidos na hora de seus improvisos durante os shows? Evitar pecar no abuso da técnica em função do resultado final? Pensei bastante sobre isso e acredito que a resposta seja não!

Um improviso é justamente se arriscar, ousar, deixar a situação levar as notas. Aproveitar aquela situação única para criar algo único, e consequentemente evoluir, descobrir novas melodias, combinações, músicas. Sem a improvisação a música seria estática. É por isso que a música ao vivo nunca vai perder seu valor. Numa gravação é necessário ser meticuloso e criterioso na escolha das notas, mas num show é exatamente hora de experimentar.

Por isso, quem sou eu para ficar julgando coisas tão complicadas como música? O que vale mesmo é o show! E falando em show:

Hamilton de Holanda

Hamilton de Holanda

Convidado especial do show, o bandolinista simplesmente levantou a galera!

Ele participou de duas músicas, uma delas foi a tão esperada Big Country e mostrou um show de improviso e técnica com uma rítmica fantástica! Ele se inseriu no contexto e se fez muito à vontade colocando a expressão musical brasileira no meio dos gringos, como resumiu bem Daniel Damineli “Não queria comparar, mas foi muito nítido”!

Acho que o Béla Fleck and the Flecktones acertaram em convidar o Hamilton, pois além de enriquecer o seu repertório musical (já altamente diversificado), promoveram um show inesquecível para o público!

Para ver a cobertura completa do show pelos Desertores da Escada (incluindo fotos, vídeos e autógrafos visite as páginas inacreditível; chamada urgente; afee-fotos!; desertores+fotos; vitáô; autógrafos ; vídeos)

Agradecimentos ao Flávio Yamamoto (Japoneeeeis) por fazer a cobertura e pelas fotos aqui utilizadas.