Manifesto-me

Sou biólogo e gosto de invertebrados marinhos, mais especificamente de organismos desconhecidos ou pouco estudados. Acho que o caminho mais promissor a ser seguido pela teoria da evolução é o que chama-se de sistemas complexos, uma visão de mundo que está se formando como uma ciência altamente interdisciplinar. O enfoque da minha área de pesquisa é a relação entre os processos do desenvolvimento de um organismo (basicamente embriogênese, mas incluindo outros processos como regeneração) e sua história evolutiva (ou evolução). Atualmente estou no meio do mestrado estudando o desenvolvimento de uma bolacha-do-mar, tirando muitas fotos e gravando horas de filmes. Mas, pra quê serve isso? Bom, é um assunto muito complexo pra ser colocado aqui, mas caso queira discutir me mande um email! Ou continue acompanhando o blog que cedo ou tarde falarei sobre isso.

Ah, música. Música que corre em nossas veias. Impossível viver sem e sempre um vício interminável. Além de ouvir gosto de criar minhas musiquinhas que vou colocando aqui. Sinceramente, acho repugnante o que as grandes gravadoras têm feito para manter seu mercado de música e espero que elas acabem na latrina, ou mudem de comportamento. A única solução que vejo é cada artista escolher entre subjulgar seu trabalho à organizações que se preocupam muito com dinheiro e pouco com a arte, ou aproveitar as facilidades de produção e divulgação musical independente atuais. Existe um número crescente de gravadoras independentes e netlabels que estão aí para substituir o modelo retórico das grandes gravadoras por um modelo mais justo. Justo para os músicos, ouvintes e gravadoras.

Existe um universo de músicas excelentes disponibilizadas livremente pelos artistas. Para ajudar a divulgar o trabalho destes artistas montei um blog onde coloco tudo que ouço de bom. Se você não tem idéia do que eu estou falando ou ainda acha que música independente é de baixa qualidade visite ccnelas.org e os links relacionados!

E não é que isso acontece na ciência também? Cientistas ao publicarem seus trabalhos em determinadas revistas científicas cedem seus direitos à editora. Como proprietárias do direito autoral, as editoras restringem o acesso a estes trabalhos. Só poderá ler quem comprar o artigo ou quem pertence à uma instituição que paga a assinatura da revista, e até mesmo o próprio autor do trabalho tem restrições para divulgá-lo. Poxa, mas depois de todo o trabalho que uma revista tem para selecionar, revisar, corrigir e fazer a editoração de um artigo científico não é justo que ela cobre por isso? Perfeitamente. Então o que você está falando? Contrapoxa, não seria muito mais justo se toda a comunidade tivesse acesso aos trabalhos científicos e as editoras recebessem pelo trabalho? Afinal, somos meros primatas tentando entender o que chamamos de realidade e privar a maioria das pessoas de ter acesso à novas informações não vai ajudar em nada na nossa empreitada… Atualmente existem uma série de revistas que vêm aplicando com sucesso o modelo de acesso aberto às publicações científicas, mas muito ainda precisa ser discutido e melhorado. Espero publicar num futuro próximo informações mais detalhadas sobre o assunto.

Meu objetivo era escrever um texto que mistura Biologia, Música e Cultura Livre e acabou saindo isso aí. Espero que sirva de boa introdução para o que ando pensando atualmente!

São Paulo, 16 de maio de 2007

Bruno C. Vellutini

ps: caso queira esfriar a cabeça visite o desertoresdaescada.com, uma fonte inesgotável de utilidades e inutilidades que vale a pena conhecer!