A galaxy for insight

By empowering readers and observers with transparent access to the means by which conclusions are reached, rather than assembling them in an audience to hear the Authorities deliver the catechism from on high, we are all of us becoming scientists in this way, entering into a democracy of the intellect that is already bearing spectacular fruit, not just at Wikipedia but through any number of collaborative projects, from the Gutenberg Project to Tor to Linux.

Embrião de lula

Lula no confocal
Via thenode.biologists.com

Imagem fabulosa de um embrião de lula! Os núcleos da células estão em azul, sistema nervoso em rosa e cílios de células epiteliais em verde. O globo do lado esquerdo é o saco de vitelo e o cifão já está formadinho.

A imagem foi tirada durante o curso de embriologia de Woods Hole e é uma das candidatas para a capa da revista científica Development. A votação está aberta para quem quiser (clique no link acima).

Está bom, filho. Vai pesquisar besouro.

O que você acha da política científica brasileira?

Está ultrapassada. Principalmente, a gestão científica. Foi por isso que eu escrevi o Manifesto da Ciência Tropical (PS do Viomundo: publicado primeiro aqui mesmo, neste espaço). O mais importante nós temos: o talento humano. Mas ele é rapidamente sufocado por normas absurdas dentro das universidades. Não podemos mais fazer pesquisa de forma amadora. Devemos ter uma carreira para pesquisadores em tempo integral e oferecer um suporte administrativo profissional aos cientistas.

Visitei um dos melhores institutos de física do País, na Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), e o pessoal não tem suporte nenhum. Se um americano do Instituto de Física da Universidade Duke visitar os pesquisadores brasileiros, não vai acreditar. Eles tomam conta do auditório, fazem os cheques e compram as coisas, porque não é permitido ter gestores científicos com formação específica para este trabalho. Nós preferimos tirar cientistas que despontaram da academia. Aqui no Brasil há a cultura de que, subindo na carreira científica, o último passo de glória é virar um administrador do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) ou da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). É uma tragédia. Esses caras não tem formação para administrar nada. Nem a casa deles. Não temos quadros de gestores. A gente gasta muito dinheiro e presta muita atenção em besteira e não investe naquilo que é fundamental.

Se chega um jovem muito talentoso que quer investigar besouro, devemos responder: “Está bom, filho. Vai pesquisar besouro.” Eu não investiria em tópicos, em áreas específicas. Eu investiria primordialmente em gente. Porque se você investir em pessoas talentosas, elas encontrarão nichos em que o Brasil terá benefícios tremendos.

Nós publicamos mais do que a Suíça. Mas o impacto da ciência suíça é muito maior. Basta ver o número de prêmios Nobel lá. E eles têm apenas cinco milhões de habitantes. Na academia brasileira, as recompensas dependem do que eu chamo de “índice gravitacional de publicação”: quanto mais pesado o currículo, melhor. Ou seja, o cientista precisa colecionar o maior número de publicações – sem importar tanto seu conteúdo. Não pode ser assim. O mérito tem de ser julgado pelo impacto nacional ou internacional de uma pesquisa. Não podemos dizer: quem publica mais, leva o bolo. Porque aí o sujeito começa a publicar em qualquer revista. Não é difícil. A publicação científica é um negócio como qualquer outro. Mesmo se você considerar as revistas de maior impacto. Também não adianta criar e usar um índice numérico de citações (que mede o número de citações dos artigos de um determinado cientista).

Se Einstein não poderia estar no topo, há algo errado. Minha esperança é que o futuro ministro ataque isso de frente pois, até agora, ninguém teve coragem de bater de frente com o establishment da ciência brasileira. Ninguém teve coragem de chegar lá e dizer: “Chega! Não é assim! A ciência não está devolvendo ao povo brasileiro o investimento do povo na ciência.” Os cientistas brilhantes jovens não têm acesso às benesses que os grandes cardeais – pesquisadores A1 do CNPq – têm, muitos deles sem ter feito muita coisa que valha.

Para entender a que me refiro, basta participar de reuniões científicas e acompanhar a composição de uma mesa. Não há nada semelhante em lugar nenhum do mundo: perder três minutos anunciando autoridades e nomeando quem está na mesa. É coisa de cartório português da Idade Média. Cientista é um cidadão comum. Ele não tem de fazer toda essa firula para apresentar o que está fazendo. É um desperdício de energia, uma pompa completamente desnecessária. Muitas vezes, os pesquisadores jovens não podem abrir a boca diante dos cientistas mais velhos. Eu ouço isso em todo o Brasil.

Eu adoro a USP, onde me formei. Mas a liderança que temos hoje na USP é terrível. O reitor da USP (João Grandino Rodas) é uma pessoa de pouca visão. Não chega nem perto da tradição das pessoas que passaram por aquele lugar. São Paulo acabou de perder um investimento de 150 milhões de francos suíços (cerca de R$ 270 milhões) porque o reitor da USP não tinha tempo para receber a delegação de mais alto nível já enviada pelo governo suíço ao Brasil. Mandaram o pró-reitor de pesquisa da universidade (Marco Antônio Zago) fazer uma apresentação para eles. Ninguém agradeceu a visita.

Miguel Nicolelis falando muitas verdades. Mais claro e direto, impossível. Só selecionei umas citações… leiam a íntegra no link acima.

Larvas Tornárias

Larva tornária
The Tonaria larvae. Ptychodera flava. © 2010 Kahi Kai – one Ocean, for Tara Oceans via Tara Expéditions

Fantástica foto de uma larva de hemicordado da Tara Expéditions, uma expedição científica multidisciplinar que está dando a volta ao mundo coletando dados biológicos e físicos dos oceanos. Em outubro eles passaram pelo Rio de Janeiro e estão à caminho de Ushuaia. Vale a pena dar uma olhada no site.

Aproveito para mostrar as duas fotografias de larvas tornárias que fazem parte da mostra Oceano: vida escondida; exposição itinerante do CEBIMar/USP.

Larva tornária
A larva tornária representa parte do ciclo de vida de um grupo de vermes marinhos solitários. Elas passam bastante tempo na coluna d´água, e os adultos, que podem medir cerca de 1 metro de comprimento, vivem enterrados na areia.
Larva tornária
Larva tornária é bastante transparente permitindo visualizar estruturas internas, como o trato digestório, nervo apical e hidróporo.

E por que não mostrar um adulto?

Saccoglossus bromophenolosus
Saccoglossus bromophenolosus, espécime da costa oeste dos EUA.

Aqui no litoral de SP temos o Balanoglossus gigas que pode passar dos 1,5 metros de comprimento (!).

Mestre em LaTeX v0.2

Acabo de lançar uma nova versão do Mestre em LaTeX! Fiz uma boa limpeza no código e corrigi os poucos (mas importantes) bugs que haviam sido reportados. As principais mudanças foram a melhoria da formatação dos elementos pré-textuais (capa até sumário), o ajuste para que seções comecem sempre nas páginas ímpares e re-estruturação do texto. Veja mais detalhes sobre as atualizações desta versão aqui. Para baixar:

Mestre em LaTeX v0.2 – 2010-05-01 [zip com 502kb]

ou visite o site para mais informações: http://code.google.com/p/mestre-em-latex/

Para a próxima versão deixarei o texto mais didático, já que ficou um pouco bagunçado depois do rearranjo, e adequarei o documento de acordo com as normas da ABNT para a apresentação de documentos acadêmicos.

Desde 29 de janeiro de 2009 a primeira versão foi baixada 767 vezes e pelo menos 2 dissertações foram defendidas com sucesso (essa do gepeto e essa do zué; além da minha ;)). Se alguém tiver notícia de mais alguma me avise. Agradeço a todos que me relataram bugs ou me escreveram, mesmo que só para dizer que o MeL* havia funcionado (ou não) nos seus sistemas. Continuem mandando sugestões!

* apelido carinhoso