A Sombra do Vento

― Seu amigo Tomás tem talento, mas falta-lhe um rumo na vida, e um pouco de ambição, que é o que decide as coisas ― opinava Fermín Romero de Torres. ― A mente científica tem dessas coisas. Veja, por exemplo, o senhor Albert Einstein. Inventou tantos prodígios, e o primeiro para o qual encontraram aplicação prática foi a bomba atômica, e ainda por cima sem a sua permissão. Além disso, com essa aparência de boxeador que Tomás tem, vão lhe dificultar as coisas no meio acadêmico, porque nesta vida o que comanda tudo é o preconceito.

Motivado a salvar Tomás de uma vida de penúrias e incompreensões, Fermín tinha decidido que era preciso fazê-lo exercitar sua oratória latente e a sua sociabilidade.― O homem, como bom símio, é um animal social e nele prevalecem as patotas, o nepotismo, as trapaças e os rumores como pauta intrínseca de conduta ética ― argumentava. ― É biologia pura.

― Não por muito tempo.

― Que sonso você é às vezes, Daniel.

Livro: A Sombra do Vento

Autor: Carlos Ruiz Zafón

Páginas: 80-81

Comments 3

  1. edy abreu wrote:

    ei rapaz, já viu esse?
    http://www.abelic.net/

    bacanesa!

    Posted 06 Nov 2007 at %13:%Nov
  2. nelas wrote:

    vi agora, valeu!

    Posted 19 Nov 2007 at %11:%Nov
  3. Juju wrote:

    Gosto dessa aqui:

    “O destino costuma estar numa curva de uma esquina. Como se fosse uma lingüiça, uma puta ou um vendedor de loteria: as três encarnações mais comuns. Mas uma coisa que ele não faz é visitas em domicílio. É preciso ir atrás dele.”
    :P

    Posted 04 Jan 2008 at %09:%Jan

Post a Comment

Your email is never published nor shared. Required fields are marked *